26 de dezembro de 2011

Tweets #001 - O sobrenome

23 de dezembro de 2011

Elogio do Barbeiro




INTERIOR. REDAÇÃO R7. NOITE.
A porta do elevador se abre. Um rapaz – RENATO, 25 – de estatura mediana e cabelos pretos, carregando uma mochila no ombro direito e uma blusa verde musgo no esquerdo sai do elevador. Ele vira à sua esquerda e bate seu crachá no relógio de ponto. Entra num grande salão lotado. É uma redação de jornalismo. Ele vira para a esquerda e anda por toda a extensão do ambiente até chegar ao computador que costuma usar, bem na ponta do salão.

RENATO
Boa noite, boa noite. Boa noite!

Algumas pessoas em volta respondem enquanto outras continuam com seus afazeres. Renato senta, liga o monitor do computador e coloca sua senha para entrar no sistema. Uma mulher loira – TATIANA, 30 –, sua chefe, se aproxima de Renato.

TATIANA
Rê, tem o cross do JRNews hoje.

RENATO
Ah, pode deixar. Já vou começar a fazer.

Renato começa a navegar pela internet em busca das principais notícias do dia.

P.V. DE RENATO
Na tela do computador, Renato passa por várias notícias, de vários sites, em busca de uma reportagem ou manchete que lhe chame a atenção.

CORTA PARA:
O teclado do computador enche a tela. As mãos de Renato mexem-se freneticamente.

CORTA PARA:
P.V. DE RENATO
Na tela do computador, é possível ver as letras surgindo rapidamente num programa de edição de texto conforme o ritmo do barulho da digitação de Renato.
SENTADO À MESA
Renato mexe alguns segundos no mouse do computador. Em seguida, pressiona a tecla ENTER. BARULHO DE UMA IMPRESSORA. Renato se levanta e vai até a impressora, que fica a dois metros à sua esquerda, numa grande bancada que percorre quase toda a lateral da redação. Ele pega duas folhas que foram impressas e caminha para o elevador.

INTERIOR. ELEVADOR. NOITE.
Renato se olha no espelho que cobre a parte de trás do elevador. Mexe no cabelo e arruma a camiseta preta com um símbolo tribal. Ele também coloca os fones de ouvido, que passam por dentro de sua camiseta e cuja extremidade pendurava-se pela gola da roupa. O elevador faz um barulho, indicando que chegou ao térreo. Renato sai do elevador, chegando ao -

INTERIOR. REDE RECORD. NOITE.
Assim que sai do elevador, deparando-se com uma larga porta de vidro automática cinco metros à frente, Renato, sem passar pela porta, vira à esquerda e, poucos metros adiante, à esquerda de novo num longo corredor. Ele vai passando por uma sequência de corredores, até chegar a um grande pátio com um teto transparente. É um conjunto de estúdios de televisão. No pátio não se encontra praticamente ninguém. Ele caminha por cerca de 30 metros até chegar a uma grande porta dupla cinza, com apenas um de seus lados aberto.

INTERIOR. RECEPÇÃO RECORD NEWS. NOITE.
Assim que entra no local, Renato se depara com uma recepção vazia. Ele passa por algumas portas como se já conhecesse o lugar.

INTERIOR. REDAÇÃO RECORD NEWS. NOITE.
Renato entra numa típica redação de telejornalismo. Várias pessoas, sentadas em suas estações de trabalho, se apressam em função do telejornal que irá começar em breve. Renato caminha pelo ambiente até entrar numa sala lateral, toda de vidro, em conjunto com mais três ou quatro. Assim que entra no pequeno recinto, Renato enxerga um homem – HERÓDOTO BARBEIRO, 65 – que estava chupando uma bala, daquelas que grudam no dente se não forem mascadas com habilidade.

RENATO
Olá, Heródoto, tudo bem?

HERÓDOTO BARBEIRO.
Opa!

Ao perceber a chegada de Renato, Heródoto rapidamente tira um e outro objeto de sua mesa, olha para as mãos de Renato, atento para o que ele tem a dizer.

RENATO
Heródoto, trouxe algumas sugestões para o cross de hoje. Vê o que você acha.

Renato entrega uma das folhas de papel que carregava para Heródoto, que começa a analisar seu conteúdo enquanto continua a chupar a bala. O semblante de Renato é de apreensão. Ele sabe que está falando com um dos principais jornalistas do Brasil, enquanto ele é apenas um iniciante na carreira. Em pouco tempo, Heródoto termina a leitura do papel.

HERÓDOTO
Está ótimo, está muito bom. Muito bom mesmo.

RENATO
Não precisa mudar nada, então?

HERÓDOTO
Não, assim tá bom.

RENATO
Tá certo, então. Então eu vou te mandar por e-mail, como sempre, e aí eu desço aqui depois quando o jornal estiver para começar, já com a primeira parcial da enquete e alguns comentários do mural, ok?

HERÓDOTO
Combinado! Obrigado.

Renato sai da sala de Heródoto, aparentando felicidade. Ele acabou de receber um “muito bom, muito bom mesmo” de Heródoto Barbeiro.

16 de junho de 2011

Ídolos e redes sociais: como amplificar o alcance de ações na internet

Eu trabalho no Portal R7, mais especificamente na editoria que cuida dos programa da Rede Record. Em outras palavras, sou responsável, junto com dezenas de outros redatores, por cuidar dos sites relacionados às atrações da emissora.

Nesses últimos meses, porém, tenho me dedicado mais ao Ídolos, em função da importância do reality show para a grade de programação da Record. Numa das reuniões que participei com a equipe do programa, uma questão interessante surgiu.

Algumas vezes, a plataforma digital, a internet, o site de um programa específico é visto pelo departamento comercial [e isso eu digo geral, de qualquer empresa] não como mais um importante meio para se gerar renda, mas sim como um canal secundário para se gerar renda. "Um bônus", como foi dito. "Pague XX milhões pela cota de patrocínio do programa e ganhe um banner na nossa página".

No entanto, com um bom planejamento, é possível SIM usar o meio digital (no caso, as redes sociais) como uma ferramenta importante e independente para se ganhar dinheiro com televisão.

Por exemplo: no caso do Ídolos, temos um Twitter com aproximadamente 50.00 seguidores. No Facebook, 10.000 pessoas curtem nossa página. No Orkut, há duas grandes comunidades (não-oficiais) que, juntas, somam 100.000 usuários. Bacana, não? São números interessantes, correto?

Nesta temporada, NET e Pepsi foram dois dos principais patrocinadores do programa, e irei usá-los como exemplo.



- E se toda vez que algum link fosse tuitado, a gente usasse um encurtador de URL do tipo "virtua.com/agr58" ou "pepsi.me/e5r1w"?
- E se todo álbum que criássemos no Facebook e no Orkut possuíssem, como capa, a logomarca dessas empresas?
- E se toda foto de todo álbum tivesse, num cantinho superior ou inferior, a logomarca ou marca d'água da logomarca dessas empresas?
- E se apps para Facebook fossem criados em conjunto, como essa ótima ideia da Pepsi?
- E se as páginas dos patrocinadores fossem fixados nas "Opções de Curtir" da página do Ídolos, como faz o American Idol?
- E se a landing page da página do Ídolos no Facebook fosse uma página específica para a promoção dos patrocinadores (dentro de um contexto atraente para o usuário)?
- E se as comunidades do Orkut tivessem acesso a uma câmera exclusiva dos bastidores durante os programa ao vivo, vendo e o ouvindo o que os candidatos fazem nos comerciais? Algo do tipo: "A conexão de internet banda larga mais confiável do Brasil revela os segredos dos seus ídolos". É só criar um canal via streaming para que isso ocorra e pronto!
- E se os principais blogs que falam de Ídolos recebessem alguns media kits sobre o programa, com informações exclusivas?

Tudo isso ajuda a divulgar essas marcas constantemente - de forma intensiva - durante três ou quatro meses, que é o tempo de duração do programa. Imagina a sua marca ser citada o tempo todo para milhares e milhares de usuários e dentro do contexto editorial dos conteúdos gerados pelo programa na internet?

Acho seriamente que esse tipo de estratégia possa existir!

Sandy poderia ser ainda mais Devassa

Uma das grandes ações publicitárias do ano aconteceu no Carnaval de 2011, quando a marca de cerveja Devassa lançou sua campanha com a cantora Sandy. Independentemente dos resultados que a ideia possa ter gerado para a empresa, ela  conseguiu algo importante: destacar a marca numa época em que as cervejas investem muito dinheiro em divulgação.

Ao ver a campanha da Devassa, me lembrei de um vídeo bem engraçado do Saturday Night Live, no qual a atriz Natalie Portman começa a "destruir" sua própria imagem, dizendo que ela não é o modelo a ser seguido que todos acham que ela é.

Natalie Portman é uma atrzi respeitada, vencedora das maiores premiações cinematográficas, graduada em Harvard e é engajada em causas políticas e sociais.

Ao estrelar um rap em que profana diversos palavrões e se comporta como a verdadeira "gangster", Portman provoca a mesma ruptura que foi pretendida pela ação da Devassa. Acho que seria uma boa ideia fazer algo parecido com a Sandy. Certamente, seria um vídeo que atingir a marca dos milhões de acesso rapidamente.

Abaixo, veja o vídeo do SNL!

4 de abril de 2011

Mafia Wars + Paint Ball + Geolocalização = Aplicativo Bacana

A onda dos aplicativos para smartphones está em alta e tende a crescer ainda mais. Vira e mexe, surge um novo app que atrai as atenções para si e se torna a nova febre do mobile world. E não é à toa. Eles possuem características que condensam, cada um a sua maneira, um dos maiores desejos das pessoas: diversão.

Pensando nisso, eu "criei" um aplicativo hipotético que junta as características de vários programinhas nos quais me viciei. A ideia ainda é bem rudimentar, o nome é provisório, o layout é pouco original e a descrição não tão detalhada. Mas dá para ter ideia do que se trata.



Espero que alguém goste e, quem sabe, desenvolva o aplicativo :D Acho que faria muito sucesso! Abaixo, segue a descrição oficial do HuntMyFriends.

O HuntMyFriends é um aplicativo para smartphones baseado em elementos de RPG que tem como objetivo reunir amigos para um jogo que é, ao mesmo tempo, virtual e real. Basicamente, ele utiliza o sistema de geolocalização do aparelho para criar competições entre amigos de uma mesma localidade.

O app é uma mistura de Foursquare com MafiaWars e Paintball. A ideia é promover um jogo bem similar ao Paintball, usando, contudo, o conceito de geolocalização e itens virtuais, como armas, escudos e equipamentos.

A tela do jogo (um mapa) indica você como um ponto verde seus amigos (sua caça) como vermelhos. Usando as armas disponíveis (você ganha itens mais poderosos conforme evolui no jogo), você precisa caçar e aniquilar seus amigos. Dependendo da arma que você usar, a distância necessária para se chegar perto do adversário e atingi-lo poderá ser maior ou menor. Por fim, dependendo do seu avanço no jogo, você poderá adquirir medalhas que irão lhe posicionar entre os melhores jogadores de HuntMyFriends.

31 de março de 2011

Como as fabricantes de impressoras podem melhorar a experiência de seus clientes com seus produtos

Já faz quase duas semanas que eu tenho pesquisado modelos de impressoras em sites de compra, comunidades no Orkut e em fóruns sobre tecnologia. Como estou pensando em comprar um modelo novo, quero ter certeza de que não irei me arrepender de minha futura aquisição.

Acontece que, para mim, um usuário convencional com necessidades básicas relacionadas à impressão de documentos, é difícil encontrar um modelo que realmente se destaque, pois há vários com custos e desempenhos idênticos.

Foi aí, então, que me veio à mente: por que os fabricantes de impressoras não investem no usuário em si, na experiência que ele pode ter com seus produtos? Exemplo:

Imagina que você tem dez páginas de um texto para serem impressas. Você vai lá em Arquivo < Imprimir e dá OK. Ao término da impressão, contudo, você percebe curiosamente que há onze páginas no documento, ou seja, uma mais do que deveria haver. Mais do que isso: essa página a mais contém uma mensagem que diz que você ganhou 15% de desconto na compra do seu próximo cartucho. Legal, né?

Pois é justamente isso que eu estou falando! Não seria bacana se as impressoras tivessem um sistema que, a partir das impressões feitas pelo usuário, fornecesse vantagens para ele? Dessa maneira, o cliente ficaria estimulado não apenas a adquirir o produto - pela sua inovação -, mas também a usá-lo (já que, a qualquer momento, ele pode ser surpreendido com um prêmio. Além disso, quanto mais ele usa a impressora, mais tinta de cartucho ele consome.

E se a gente pensar mais um pouco, dá para ir além. No lugar da mensagem em texto, por exemplo, essa página a mais poderia ser um QR Code. O cliente então vai exibir esse código em frente a uma webcam e poderá, por exemplo, visualizar um modelo 3D de algum outro aparelho da marca (algo similar ao que a Olympus fez).

Já no caso de uma multifuncional, o usuário pode ser convidado a utilizar todos os recursos do aparelho. Em outras palavras, ao imprimir um documento, ele ganha um QR Code. Ao usar o scanner, outro. Ao digitalizar uma foto, outro. E por aí vai.

Esse sistema pode até mesmo virar um mercado paralelo. Pelo site do fabricante, o usuário pode comprar créditos que lhe garantam esses códigos aleatórios (e que nem precisam ser sempre prêmios ou descontos; podem ser frases de efeito, poemas, piadas, dicas de consumo, de tecnologia etc).

24 de março de 2011

Pôster criado para o Instituto Vladimir Herzog

Abaixo segue a imagem do pôster que eu criei para a promoção do Instituto Vladimir Herzog em relação à edição deste ano do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos e para o 3º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão.

Aliás, é importante observar que a primeira edição deste segundo prêmio, em 2009, teve eu como um dos vencedores.

Voltando ao pôster, a ideia é mostrar um homem em direção à vida (representada por uma árvore) e à liberdade (expressa pelo céu grande e limpo). O sol tem seus raioz de luz geométricos apontados em direção à árvore justamente para indicar que liberdade e vida são conceitos que precisam exitir simultaneamente.

22 de março de 2011

O Orkut ainda pode melhorar e dar a volta por cima!

Na última segunda-feira (21), o Orkut lançou, apenas para alguns usuários, o novo visual do site, em tentativa de melhorar a percepção dos internautas brasileiros em relação à rede social. Pelo pouco que foi divulgado, as novidades parecem promissoras, e a empresa ainda promete mais recursos inéditos, mas sem definir quando.

Ao ler a notícia, lembrei-me de algumas sugestões que fiz, há pouquíssimo tempo, sobre o Orkut. Desde a nova versão, lançada em 2009, senti que o site caiu de qualidade. Minha maior objeção sempre foi a falta de organização nas informações. Era difícil achar o que eu queria.

No entanto, o novo design - e as novas funções - lançados ontem, aparentemente, foram muito bem pensados. Não sei até que ponto o Orkut conseguirá competir com o Facebook (e não acho que nenhum dos dois seja concorrente direto do Twitter), nem mesmo no Brasil; mas aprovo todo tipo de decisão que tenha como objetivo melhorar essa rede social tão mercante para nós, brasileiros.

Abaixo, coloco as sugestões sobre as quais comentei. Elas foram criadas simplesmente para ilustrar alguns pontos que considero importantes no site. Com exceção da coluna central e do destaque de fotos, que foram obviamente "inspirados" no Facebook, o resto praticamente já existia no Orkut. Apenas as funções relativas às comunidades (que são a verdadeira alma do Orkut) é que talvez sejam o aspecto mais original. Clique nas imagens para ver mais detalhes e ler as observações.



21 de março de 2011

Aplicativos para a cidade de São Paulo: monitoramento dos ônibus

Nesta segunda-feira (21), o Metrô de São Paulo lançou uma iniciativa interessante: por meio de um recurso disponível em seu site, os usuários agora podem saber, em tempo real, a situação das principais linhas do sistema de transporte subterrâneo da cidade.

Quando fiquei sabendo da ação do Metrô, há alguns dias, imaginei que seria algo parecido com uma ideia que tive há pouco tempo, voltada para os ônibus do capital: um aplicativo para smartphones que tem como objetivo monitorar, também em tempo real, a localização de todos os veículos coletivos da cidade.

Funcionaria da seguinte maneira: cada ônibus teria um sistema de GPS instalado (ou qualquer outro dispositivo que consiga indicá-lo num mapa), possibilitando que os usuários do sistema público de transporte saibam sua exata localização.

Imagine que você acaba de sair de casa em direção ao trabalho. Ao chegar no ponto, preocupado com a demora, você decidi usar o aplicativo para saber se o ônibus que você pega está muito longe da onde você está. É só digitar o nome ou número da linha desejada e, baseando-se no seu atual ponto de localização, o aplicativo automaticamente determina a distância do ônibus (bolinhas coloridas num mapa, como na imagem abaixo) e gera uma estimativa para que ele chegue até você.

Com isso, você consegue se planejar melhor, decidir se pega outro ônibus, se muda seu itinerário, se vai de Metrô ou se pega carona com o vizinho. Bem interessante, não? Você poderia até mesmo ficar em casa, sem se preocupar com o horário, e só sair quando o aplicativo emitisse um alerta sonoro, apontando que o ônibus que você costuma pegar está se aproximando.

Mais do que isso, o aplicativo poderia oferecer vários outros recursos. Na barra inferior da imagem que fiz de exemplo, simulando como seria esse aplicativo, imaginei a aplicação de algumas funções, como:
1) Pesquisa Geral: usar o sistema de pesquisa que há tempos já está disponível no site da SPTrans elo qual você determina um ponto de saída e um ponto de chegada para que o sistema aponte os trajetos disponíveis para você.
2) Situação do Metrô: integração com o recurso que o Metrô lançou hoje, fazendo com que o usuário tenha uma noção mais completa de como está o sistema público de transporte naquele exato momento.
3) Rastrear Ônibus: seria a principal função do aplicativo: adicione as linhas que deseja monitorar e saiba o ponto exato de cada veículo dessas linhas na representação de um mapa da cidade.
4) Carregar Bilhete Único: por meio de um cadastro feito previamente, no qual o usuário preenche seus dados pessoais, de seu Bilhete Único (que é intransferível) e de seu cartão de crédito ou débito, ele poderá - a qualquer momento, em qualquer lugar - fazer a recarga do Bilhete Único. É só escolher o valor e confirmar com a senha do sistema.
5) Fale Conosco: um fale conosco para enviar críticas, sugestões, observações e elogios. O usuário clica e escolhe entre enviar um e-mail ou falar diretamente com o 156.

Por fim, o aplicativo poderia ter uma pegada mais forte de mídias sociais, possibilitando que os usuários publicassem (como no Twitter) informações relevantes para os demais usuários, tais como: dicas de atalhos, acidentes em alguma região, trânsito em alguma região, falta de energia (no caso dos ônibus elétricos), acidentes etc. Como é possível ver no exemplo que eu criei, haveria uma barra, na parte superior, com informações sobre o sistema de transporte.

E aí, o que acharam? Eu, como usuário VIP do sistema público de transporte da cidade de São Paulo, iria adorar ter essa facilidade no meu dia a dia!

CONFIRA TAMBÉM:
O Restaurant Week e as mídias sociais: uma boa dupla

8 de março de 2011

O Restaurant Week e as mídias sociais: uma boa dupla

Um dos meus eventos culturais favoritos na cidade de São Paulo é o Restaurant Week (SPRW). A ideia de facilitar o acesso das pessoas a alguns estabelecimentos gastronômicos da capital é extremamente interessante e elogiável. Mais do que isso, a organização do SPRW ainda sugere que os clientes contribuam com R$ 1,00 para ações sociais. Em 2011, o evento acontece entre os dias 21 de março e 3 de abril.

Como sou um entusiasta do SPRW, pensei numa forma interessante do evento usar as mídias sociais a seu favor, estimulando as visitações dos frequentadores durante o período em que ele acontece e, obviamente, aumentando o valor arrecadado para as instituições assistenciais.
A ação
O SPRW poderia lançar um aplicativo semelhante ao Foursquare, no qual o usuário se cadastraria na intenção de ganhar vantagens durante o evento. A dinâmica é bem simples: uma vez com o programa instalado no seu smartphone, o cliente vai em qualquer um dos restaurantes participantes do SPRW. Ao pedir a conta, ele recebe junto um QR Code*. O usuário então aponta a câmera do celular para o código e, automaticamente, o aplicativo irá detectar que aquele usuário (já cadastrado) consumiu naquele local (como se fosse um check in).

Ao final do evento, o usuário (ou os usuários) que tiver feito mais check ins ganha, por exemplo, três jantares gratuitos, para ele e mais um acompanhante, em qualquer estabelecimento conveniado ao SPRW. Durante a semana em que a promoção acontece, o aplicativo vai mantendo um ranking para estimular a competição entre os participantes.

Além disso, também é possível premiar os "prefeitos" (mayors) de cada restaurante. Quando o SPRW terminar, o cliente mais assíduo de cada estabelecimento ganha um desconto na próxima vez que visitar o local (ou então ganha o direito de pagar o mesmo valor proposto pelo SPRW na próxima vez que comer no restaurante);

Por fim, como não poderia deixar de ser, ainda é possível brincar com o que há de mais divertido no Foursquare: as insígnias (badges). E aí as combinações são inúmeras. Por exemplo, o cliente que fizer 10 refeições em culinárias de países diferente ganha a insígnia "Nações Unidas". Como consequência disso, ganha mais um prêmio. Se ele fizer ckeck-in num restaurante tipicamente brasileiro, em outro tipicamente português e em outro tipicamente angolano, ele adquire a insígnia "Museu da Língua Portuguesa", ganhando duas entradas grátis para o museu.

Portanto, o Restaurant Week é um evento que possibilita trabalhar seus adeptos de forma bem divertida.

*A ideia de se usar um QR Code tem como objetivo otimizar a experiência do usuário no SPRW. O código não serve apenas para liberar um check in. A proposta é que, por exemplo, se o cliente está num restaurante de comida tailandesa, o código libere uma animação relacionada à Tailândia, passe uma mensagem divertida e, aí sim, libere o check in para o aplicativo do cliente.

6 de março de 2011

Raul Seixas em: A Lucidez de um Maluco

Ouça, mais uma vez, o documentário especial sobre Raul Seixas, um dos maiores ícones do rock brasileiro. Em apenas 16 minutos, o trabalho mostra um lado desconhecido do Maluco Beleza: um lado mais humano, mais pai de família, mais amigo, mais marido e mais irmão.

Raul Seixas - A Lucidez de um Maluco by Renato Santana

6 de julho de 2010

Quanto Vale um Egresso?




Vídeo-documentário que eu e um amigo da faculdade fizemos como resultado do I Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão (2009), promovido pelo Instituto Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. O vídeo tem como objetivo compreender as dificuldades de reintegração social de egressos do sistema penitenciário, abordando o tema de uma maneira humanizada.

Direção: Leandro Siqueira e Renato Santana

Em agosto de 2010, o Jornal da Gazeta fez uma matéria sobre o documentário.
Também em agosto, o Estadão divulgou o vídeo em sua página na internet.

Repórter MAM

O tarefa era visitar o Museu de Arte Moderna de São Paulo e fazer uma reportagem sobre a exposição. Eu e uma amiga (o trabalho era dupla) resolvemos apresentar o texto de uma forma diferente: diagramado em uma revista. O resultado ficou bem bacana. Confiram!


Português Hiperbólico 5

Ela era dócil, um pouco difícil, odiava o ócio, resolveu então abrir um negócio. Montou um consórcio e me largou no altar por um dos sócios, um argentino dono de um palácio. Veio o divórcio. Eu já sabia que a vida não era fácil, mas tudo parece ter um "que" de fictício. Me sinto um lixo, uma peça antiga, um fóssil. Eu quero um beijo e um pedaço de carinho embrulhado num 'abrácio'. Joguem fora o ursinho de pelúcia.

Português Hiperbólico 4

Ele tinha medo de lugar fechado: era claustrofóbico. Um dia ficou preso no elevador: foi catastrófico. O jeito foi relaxar: com alucinógenos. No final foi resgatado: por paramédicos.

A Minas, o que é de Minas

Para quem fala de amor, o meu carinho.
Para quem fala de Deus, a minha benção.
Para quem falam de paz, o meu sossego.
Para os que falam de Minas, um pão de queijo.

Português Hiperbólico 3

Seu Castilho era um velho com problema nos olhos. Só comia macarrão ao alho e óleo. Um dia, porém, lhe serviram com molho. E logo ele esbrabejou: "Que caralho!"

Crescer e aparecer

Eu fico imaginando se aquelas mulheres de comercial de cerveja, na época em que eram crianças, e alguém lhes perguntava o que queriam ser quando crescessem, respondiam: "um estereótipo".

Português Hiperbólico 2

Mais do que grande, o tombo foi gigante. Ela me disse toda saltitante: "Amor, tenho um amante". Foi estonteante. Seria a minha vida um conto de Cervantes ou a realidade é assim mesmo, deveras dilacerante? Perguntei titubeante: "Não me amas como antes?" A resposta foi cortante. Fiquei triste. E não rimei mais por nenhum instante.

Olha só que coisa estranha

Seus olhos eram pintados, sua boca sedutora
Só usava minissaia e rebolava a noite toda
Ela até que era bonita, mas não sabia lavar louça
Daria uma boa modelo, mas não uma boa esposa
Esses versos são sim machistas, porém nada escabroso
Pior seria se eu dissesse, que essa moça é um moço

Resumo da Ópera: Dom Quixote

Dom Quixote era um cara estranho, achava que vivia num sonho e, embora fosse risonho, nunca foi de morder a fronha. Gostava de Dulcinéia, foram juntos tomar banho, ela riu de seu "tamanho" e ele ficou todo tristonho. Desde então foi algo medonho, desgarrou-se de seu rebanho e ao lhe perguntarem sobre moinhos, respondia:
- Deles, eu ganho.

Ode ao pé e derivados

Ele possuía próteses no lugar de pernas. E ainda assim corria maratonas todos os anos. Era um bom atleta. Porém, certa vez, a prótese quebrou-se ao meio durante uma corrida, perto da linha de chegada, fazendo-o perder uma prova quase certa. Quem diria: a perna o havia deixado na mão. Seria ele um verdadeiro pé frio?

O jeito era relaxar, comer um pé de moleque e talvez, quem sabe, dançar um pouco. Ouvira dizer que ele era um dos melhores pé de valsa da cidade. Outros, porém, me diziam que ele não passava de um pé rapado. Na dúvida, fiquei com um pé atrás. Afinal de contas, não dá para levar tudo o que dizem ao pé da letra. Mas amanhã será um novo dia e, na próxima corrida, que ele comece com o pé direito.

Toda essa história, sem pé nem cabeça, me foi contada ao pé do ouvido por uma senhora que conheci no metrô. Estava de pé, e ela, sentada. Ao abaixar-me para conversarmos pude reparar nos pés de galinha que marcavam fortemente seu já bem usado rosto. Que seja tudo verdade, pois contar mentiras é dar tiro no próprio pé. Como diz o ditado: mentira tem perna curta.

Contou-me também que era atriz. "De cinema?", perguntei. "Não, de teatro", esclareceu-me. Inclusive, estava a caminho da sala de espetáculos. Apresentaria-se dentro de pouco tempo numa readaptação de Footloose. "Pois então quebre a perna", respondi, desejando-lhe sorte. Ela sorriu e me agradeceu pelos votos de sucesso. Em retribuição, me deu um pé de coelho para me proteger. Despedimo-nos e fui para casa.

No caminho resolvi passar no supermercado. Não sei por que, mas estava com uma vontade louca de comprar um pé de alface. No caixa, reparei numa mulher grávida que encontrava dificuldades em embrulhar suas compras. Ela me viu e pediu ajuda. Fingi que não a vi fui embora dando uma de João sem braço.

Ao chegar em casa não encontrei ninguém. Vi um recado de minha esposa no criado-mudo: “Querido, fui embora”. Meu Deus, ela pôs o pé na estrada! O jeito era apertar os passos e descobrir para onde ela havia ido. Bati o pé decidido que iria encontrá-la, seja onde for que ela estivesse. Nem que precisasse ir a todos os hotéis do Estado, arrombando quarto por quarto com um pé de cabra. Na ânsia, fui atropelado. O final de tudo não foi dos melhores: bati as botas.

A saga de João Amélio

Eram 2 horas quando João Amélio sentiu seu coração bater mais rápido. Às 3h, ele parou. Às 4h, já era tarde quando a família chegou em casa. Às 5h, entrou na ambulância. Às 6h, chegou ao hospital. Às 7h, foi atendido. Mas no fundo nem precisava. Às 8h, foi dado como morto. Nunca conheci João Amélio. Nem antes nem depois das três.

Resumo da ópera: Supermam

Ele era um super-homem, com superpoderes
Dos seus olhos saía um raio laser
Seu verdadeiro nome era Clark Kent
Um apaixonado por Lois Lane

Português Hiperbólico 1

Ela era prática e decorava bolos com uma espátula: de cholocate, de avelã ou de amendôas da Malásia. Originária das mãos de um autor de mente mágica, levava uma vida bem bucólica. Transparecia uma aura angélica e nostálgica. Quem essa é essa criatura enigmática de quem eu falo nessas rimas hiperbólicas: seria ela a tranquila Dona Benta ou a psicodélica Tia Anastácia?

O dia de do Carmo

Maria do Carmo acorda todos os dias às 4h30 da manhã para trabalhar. Às 5, sai do banho. Às 5h20, toma café. Às 6, tranca o portão de casa. Às 6h50, desce do ônibus. Às 7h15, é encochada no metrô. É o ponto alto do seu dia. Nunca conheci Maria do Carmo. Nem no sentido Jabaquara ou Tucuruvi.

5 de julho de 2010

Síndrome de João e Maria

Com a aproximação do Natal, a imagem que vem à cabeça da maioria das pessoas é a de lojas abarrotada de pessoas em busca de presentes. Já para quem passa o 24 de dezembro na cozinha, contudo, a preocupação é com o preparo da ceia. Não raramente, costuma-se haver um abundância de comida nessa época que deixa qualquer um banquete real no chinelo. Aliás, há de se convir que a comida se inseriu de tal forma na cultura brasileira, que é humanamente impossível a prática de dietas e regimes alimentares. A disposição dos feriados e de outras datas comemorativas no calendário é feita de tal maneira que compreende-se porque 43,3% da população brasileira que vive nas capitais estão acima do peso, segundo dados recentes do Ministério da Saúde.

Em 25 de dezembro, temos o Natal, período no qual comida não é problema: come-se peru, pernil, tender, arroz, farofa, peixe, nozes, castanhas, frutas cristalizadas, frutas secas, frutas em calda, panetone, chocotone e, para não pesar demais, uma saladinha, claro. Tudo bem que às vezes as pessoas mais comida do que comem - vai ver é o tal espírito natalino, notoriamente generoso -, mas que o Natal representa o ápice do pecado da gula, não há como negar.

Acabou o Natal, e você então pensa: “Ah, agora eu vou entrar naquele regime que há tento tempo eu estou pensando em fazer”. Ledo engano. Você e sua família cozinharam uma variedade enorme de pratos; é comida para a semana toda. Após constatar essa fatalidade, você se resigna e se esforça ao máximo no nobre objetivo de evitar o desperdício de alimentos.

Quando a semana vai se aproximando de seu fim, você percebe mais uma verdade da qual não é possível fugir: o Ano Novo. A segunda data mais “engordativa“ do nosso calendário acontece exatamente uma semana após a mais “engordativa”. Coincidência? Sim, coincidência. Mas, convenhamos, uma infeliz coincidência para mim, para você e para todos que querem perder aqueles quilinhos a mais, agregados durante o Natal.

O cardápio do Ano Novo, vulgo Réveillon, não difere muito das iguarias natalinas. Inclua agora cem gramas de lentilha, cachos de uva, uma romã, nhoque e algumas garrafas de cidra. Nessa época do ano você só não vê mais comida do que formas de simpatias e gente vestindo branco.
Acabou o Ano Novo! Você agora está definitivamente de regime. Não há volta em relação a isso. É verão, todo mundo corre pelas ruas exibindo seus abdomens sarados, e você também quer fazer parte deste seleto grupo.

Pouco mais de um mês fazendo trinta longos minutos de exercícios quase diários e tentando ao máximo não comer em excesso, você se surpreende mais uma vez: “skindô-skindô”, lá vem o Carnaval. E pior: junto com aquele feriado prolongado.

Aí já viu, né? Litros e litros de cerveja, petiscos, frituras e mais cerveja se acumulando na sua barriga. Quando finalmente a folia acaba, vem aquele feriado prolongado e como se não bastasse a sua empresa ainda deixou os funcionários assistirem as apurações das escolas do Rio e de São Paulo em casa. Você vivenciará então três dias de nervosismo e ansiedade para saber se nesse ano sua escola finalmente vai levar o título. Agora, leitor, me diga: qual é o melhor jeito de curar a ansiedade? Exatamente... comendo! Mais cerveja, mais fritura e mais cerveja.

É, companheiro, seu começo de ano não foi dos melhores, mas agora está tudo sob controle... porém, não sob o seu. Já se passou pouco mais de um mês desde as suas últimas aventuras alimentícias. Você já até começou a notar um músculo ou outro que antes não via. Já está pensando nas férias de meio de ano e naquela viagem à praia onde você, finalmente, vai poder exibir seu peitoral recém-esculpido. Mas é como diz o ditado: felicidade de pobre dura pouco (porque se você fosse rico já teria feito uma lipoaspiração e terminado com tudo isso). Você olha para o horizonte cronológico que se apresenta a você e de repente se depara com o inevitável: o coelhinho da páscoa pulando com uma cesta de chocolate.

Cá entre nós, não há como resistir aos encantos da Páscoa; o que dirá, então, aos “encantos” do chocolate, ainda mais na forma de ovo, ou de coelho, ou de cenoura, ou de castelo... Não há quem não goste de chocolate. Ele sim é o símbolo do pecado. Sempre desconfie de quem lhe disser que eva mordeu uma maçã ao sucumbir aos pecados mundanos. Sua mordida foi, sim, numa barra de chocolate. A questão é que um pedaço mínimo de chocolate possui um milhão e trezentas calorias. Então por menos que você coma, não há como fugir de dar adeus àqueles músculos que você tão bem havia recepcionado.

Bom, a Páscoa acaba e você imagina o que mais esta por vir, correto? É hora da Festa Junina, meu caro. Prepare-se para comer todo tipo de comida à base de milho, chimarrão, maçã doce, algodão doce, galinha na panela, galinhada, galinha ao forno, galinha doce e toda e qualquer forma que uma galinha puder ser preparada comestivelmente.

O ano já passou de sua metade e já foi possível perceber o poder da comida em nossa cultura. Simplesmente, não há regime que resista. Parece que o universo conspira contra os gordinhos. Assim, você passará dias, semanas e até meses lamentado-se pelo triste fado que lhe corroera o futuro... e, claro, comendo essas lamentações. Tudo isso ocorre sem levar-se em considerações outras datas com potencial de engorda como aniversários, dia dos pais, dia das mães e festas típicas às quais costuma-se ir.

Não sei a quem tanto interessa um mundo recheado de pessoas mais gordinhas. Só sei que precisamos agir, levantar da cadeira e fazer algo a respeito. Mas enquanto a gente não decide como tudo isso vai ser organizado... eu vou na cozinha preparar um lanchinho e já volto.

4 de julho de 2010

Convite TCC

Como já comentei certa vez, design gráfico é uma das minhas "paixões". Embora me falte conhecimento na área, é sem dúvida algum um divertimento no qual pretendo me aprofundar. Abaixo segue uma variação da capa do meu TCC, que eu acabei transformando em um convite para o dia da minha banca. Até que ficou legal.

3 de julho de 2010

Brasil volta para casa

Ah, o futebol! Paixão nacional. Em anos de Copa do Mundo, então: tesão nacional. Após uma campanha decepcionante no mundial da África do Sul, a (horrível) imprensa esportiva já definiu seus vilões: Felipe Melo e Dunga.

Diferentemente da visão deveras simplificadora que acomete nossa (horrível) imprensa esportiva, eu acredito que nada é preto no branco, oito ou oitenta. hà variações a serem consideradas. No caso do desempenho da seleção, é importante observar-se erros e acertos desde quadriênio no qual o técnico Dunga esteve à frente de seu comando.

ERROS

- Convocação: eu entendo que os critérios adotados pelo Dunga não tenham sido meramente técnicos. Ele se preocupou também em levar jogadores de sua confiança e que formassem um grupo forte e unido. Acredito que não há fórmulas definidas de sucesso – sobretudo no imprevisível e mágico universo do futebol. Há diversas linhas de ação para que um treinador aja e, dentro de cada uma delas, é possível realizar um trabalho bem sucedido, um time campeão.

De qualquer maneira, a falta de um meia mais ofensivo para fazer a composição com Kaká me pareceu uma insistência inócua do Dunga. Isso não apenas vai contra a história do futebol brasileiro (e portanto ele deu pessoalidade demais à seleção, sendo ela um patrimônio de todos), como também limita técnica e taticamente qualquer equipe. Não custa nada ter uma alternativa a mais para variar partidas mais complicadas.

É um erro relativamente grave, mas que, tendo em vista a forma como a seleção foi eliminada, é atenuado conforme apontamentos feitos abaixo, nas considerações sobre os acertos da seleção na Copa.

- Insistência: por mais unido que fosse o grupo, insistir com alguns jogadores como o Michel Bastos foi um erro. Faltou ao Dunga sensibilidade para substituir alguns jogadores em momentos-chaves das partidas. Faltou também, consequentemente, melhor aproveitamento do banco.

- Trabalho Psicológico: a forma como se deu a eliminação brasileira, mostrou que os jogadores estavam desfocados em relação ao grande objetivo do hexacampeonato. Ou entraram excessivamente confiantes – o que os levou à derrota; ou entraram focados, mas o gol de empate holandês (e posteriormente o da virada) lhes atacaram de tal maneira, que eles não souberam assimilar o resultado adverso (ao contrário dos holandeses, que se mantiveram inabalados, mesmo enquanto estavam perdendo) – o que os levou à derrota.

Adendo de 8 de julho: Apesar da derrota para a Holanda numa das semi-finais, o Uruguai fez uma campanha belíssima nessa Copa e pode inclusive terminá-la com um belo terceiro lugar. Essa situação me fez aumentar um pouco mais a culpa de Dunga e também, claro, do próprio time brasileiro. Se Oscar Tabárez, tecnico do Uruguai, conseguiu levar uma equipe limitada, como é o caso da uruguaia (apesar de bons talentos individuais como Lugano, Suárez e Forlán) à decisão de terceiro lugar, porque o Brasil não conseguiu, tendo um time melhor? Tudo bem que pegou a finalista Holanda no meio do caminho, que de fato tem um time melhor. Mas mesmo assim, faltou um pouco de garra à seleção.

Os jogos do Uruguai, por exemplo, foram todos emocionantes, excitantes. Sem contar que eles possuem um craque (Forlán) que decidiu várias das partidas. E isso faltou ao Brasil. Um jogador decisivo. Um Craque. O cara que batesse no peito e chamasse a responsabilidade para si.

Kaká, a princípio, seria esse jogador decisivo. Mas devido à sua contusão, não pode sê-lo nessa Copa. E a seguinte constatação me entristece: tirando o Kaká, não há jogador brasileiro que decide jogo? Quem seria esse cara? Ronaldinho Gaúcho, Robinho? Duvido muito. Será que faltou talento a essa geração brasileira?

ACERTOS

- Convocação: sim, ao mesmo tempo em que foi um erro, ela foi um acerto. Por isso que eu digo que a campanha brasileira não pode ser vista por um viés simplificador, ou seja, como faz a nossa (horrível) imprensa esportiva.

Bom, já apontei o porquê de ter considerado a convocação do Dunga um erro. Agora, uma vez convocada e uma vez que a bola começou a rolar em solo sulafricano, o Brasil mostrou sim futebol para ir longe na competição. De certo não mostrou o melhor futebol de todos, mas era razoável. Não fazia jus às seleções de outrora, mas era o suficiente para chegar numa semi-final, por exemplo; ou até mesmo a uma final, quem sabe. Sem contar que a história do esporte bretão já nos mostrou, em diversas ocasiões, que um apanhando de bons nomes não é o suficiente para se alcançar o sucesso: 2006 está aí, recente na nossa memória.

O que faltou ao Brasil, mais do que qualidade técnica (quem diria, por exemplo, que jogadores como Elano e Ramires fariam falta à seleção), foi inteligência emocional. Embora tenha feito um primeiro tempo genial contra a Holanda, fez um segundo desastroso. Jogadores como Robinho, Kaká, Lúcio e Gilberto Silva, por exemplo, que deveriam ter feito chover em campo naquele momento de adversidade e de pressão holandesa, simplesmente sumiram. Ignoraram seus papéis de liderança, suas experiências em decisões, e deixaram se abater.

Convocar Ronaldinho Gaúcho, Ganso, Neymar ou Pelé não faria diferença naquele instante. Porque não tínhamos jogadores ruins em campo, mas sim um time morto. Ironicamente, um dos pontos que o Dunga tanto valorizou, que foi o de montar um grupo unido e de jogadores com paixão pela camisa amarela, foi o que nos derrubou na Copa do Mundo. São contradições que não se explicam.

- Paixão: trazer de volta paixão pela seleção brasileira, tanto dos jogadores (que agora querem mesmo vestir a amarelinhas) como dos torcedores, que mesmo não gostando da convocação, acreditava e torcia muito para que o Brasil fosse longe.

- Imprensa: colocar a (horrível) imprensa esportiva no lugar dela, montando uma barreira contra os boatos e intrigas que toda hora surgem foi um grande feito. Chamar o Alex Escobar de cagão, como fez o Dunga, sem dúvida alguma é um ato desnecessário. Mas mostrar-se inabalado aos sutis insultos dos palpiteiros de plantão, que usam e abusam de seu poder midiático para impor suas ideias, foi um mérito muito digno do Dunga. Ao longo desses quatro anos foram ofensas à sua educação, ao seu trabalho, misturando o pessoal com o profissional. A (horrível) imprensa esportiva brasileira mereceu!

- Tática: o Brasil tinha um bom esquema tático, sobretudo na parte defesniva, sempre muito bem postada. Não apenas a zaga, que é muito boa, como também a marcação desde o meio de campo. O ataque, óbvio, deixou a desejar: resultado de um estilo defensivo do técnico Dunga e da falta de inspiração de volantes que sabem sair com a bola, mas que nesse Mundial erravam passes como nunca vi. Pode ser considerado um erro também, uma vez que a convocação tem influência na armação tática da equipe.

Pois bem, essas são apenas alguma considerações referentes ao trabalho do Dunga frente a seleção, especialmente durante a Copa do Mundo de 2010. Como é possível perceber, não é um objeto fácil de analisar. Muito pelo contrário, é extremamente complexo. Por isso acho importante analisar e entender o que houve de bom e o que houve de ruim – porque certamente existiram variações desses dois fatores.

Não é apenas a concentração em Weggis ou o meião do Roberto Carlos que causam a derrota de uma seleção. Não é apenas a expulsão do Felipe Melo ou mau humor do Dunga que nos tiraram o hexa.

2 de julho de 2010

Toca Raul!

Galera, quando eu estava no quarto semestre da faculdade, eu e uns amigos fizemos um rádio-documentário sobre um dos maiores ícones do rock nacional, o grande Raul Seixas. Na barra lateral direita do blog, aliás, é possível encontrar o link pelo qual é possível ouvir o documentário na íntegra. São 16 minutos recheados de música e de declarações emocionantes de amigos e familiares de Raul.

O trabalho final com bem interessante. Tanto que acabamos inscrevendo-o no concurso da Rádio Cultura AM, aqui de São Paulo, que incentiva a produção radiofônica universitária. Lucidez de um Maluco foi exibido logo no primeiro dia.

28 de dezembro de 2008

Cuidado

Desde jovem ela guardava todas as embalagens de bombons que seus antigos amores lhe davam. Era como todas as outras garotas. Porém, um dia acordou e percebeu que seu diário estava cheio de formigas.

24 de dezembro de 2008

Natal em tempos de crise...

Em tempos em que a humanidade esteve submetida a uma forte crise econômica mundial, espero que, em 2009, todos vocês, caros leitores, tenham muita felicidade, alegria, sucesso profissional, saúde, mas, acima de tudo, muita liquidez!!

8 de dezembro de 2008

Consciência

Ela meu deu dez centavos a mais no troco. Uma parte de mim queria ficar o dinheiro. Mas a outra me convenceu do contrário. Devolvi. Oras, eram apenas dez centavos! Talvez eu seja ético demais.

3 de dezembro de 2008

Precaução

Juca era precavido demais. Na brincadeira de amigo-secreto da empresa, esqueceu quem havia tirado no sorteio. Resolveu comprar presentes para todo mundo. Eram 58 funcionários.

3 de setembro de 2008

Questões sobre o iogurte

Muitas pessoas dizem que a jogatina é algo perigoso. Bem, eu tenho uma opinião diferente sobre isso. Eu sempre fui uma pessoa muito forte, não só fisicamente quanto mentalmente também. Essa minha personalidade intensa fez com que eu pudesse evitar situações ao longo da minha vida, que poderiam ter me levado ao caminho do mal. Dito isto, é com orgulho que eu reconheço que, depois do álcool, das drogas, da comida, dos remédios de tarja preta, do cigarro, do açúcar e da cola, a jogatina é uma das poucas coisas nas quais eu já me viciei.

Hoje, eu quero contar-lhes sobre minha experiência pessoal em enfrentar esse problema e como eu pude superá-lo. Uma história tão impressionante que estou inclusive pensando em escrever um livro de auto-ajuda para auxiliar outros que sofrem do mesmo mal e, claro, ganhar muito dinheiro.

Tudo começou quando eu era apenas uma criança. Eu estava fazendo um trabalho qualquer para ser entregue na faculdade no dia seguinte quando uma amiga me ligou e perguntou se eu não queria ir até sua casa para jogarmos pôquer. Como eu sabia que o trabalho não valia nota mesmo - era apenas para aumentar meu conhecimento e intelecto - eu o deixei de lado e fui até a casa de minha amiga. O que eu não sabia é que ela vivia numa casa de prostituição.

Isso, até certo ponto, foi um inconveniente, pois eu estava num lugar que me remetia a todos os meus vícios anteriores. Depois de duas horas de jogo, eu estava ficando louco com o barulho das pessoas fazendo sexo, com a fumaça que dominava o ambiente, com o cheiro forte do absinto que ela bebia, enfim, era uma sensação horrível - parecia um domingo em família.

Apesar de toda a pressão, fui forte e consegui resistir à tentação de me entregar aos diversos pecados que me rondavam. Ao unir toda a minha força interior, consegui manter-me sereno e agi normalmente durante a partida de pôquer. Depois de já estarmos nus e em estado alterado de consciência, essa minha amiga (cujo nome não me lembro, mas minha melhor amiga, sem dúvidas) propôs que começássemos a apostar. Eu achei a idéia interessante, mas o que nós poderíamos apostar? Ela recomendou que apostássemos dinheiro, mas eu estava sem um centavo no bolso. Aliás, não tinha nem bolso naquele momento. Então, ela teve a idéia de apostarmos cerveja, mas, devido aos meus problemas prévios com a bebida, achei melhor dizer não. Ela então propôs cigarros e heroína, mas, novamente, eu tive que declinar. Após muita discussão sobre o que apostaríamos, finalmente chegamos a um consenso: iogurte.

Sim, iogurte. Havia de sobra na geladeira e portanto por que não usá-los? E lá fomos nós. Eu comecei a ganhar todas as partidas e, claro, mais e mais iogurte. Eu estava feliz! No pôquer normal existem aquelas fichas coloridas que representam a quantidade de dinheiro que você aposta. No pôquer com iogurte - o que eu prefiro chamar de pogurt (lê-se "pogurt") - o iogurte em si representa o valor posto em jogo, que varia de acordo com o sabor.

Obviamente, o Parmalat desnatado com nozes e vitaminado com lactobacilos casei shirota é o mais valioso de todos. No pogurt, mesmo se você for de "all in" pode ser que você não consiga cobrir a aposta inicial caso ela inclua um desses. Não quero me gabar, mas eu até que tinha vários. Minha amiga, no final do jogo, coitada!, ficou apenas com um integral de cenoura com mel e um feito de leite de tofu (impressiona-me como hoje em dia fazem tudo com tofu. Esses japoneses...).

Enfim, para encurtar a história, duas semanas depois, quando eu saía da cadeia após ter tentado roubar a seção de laticínios e derivados de um supermercado e pesando 150 quilos, eu finalmente percebi que eu, de fato, tinha um problema: mau hálito. Comer tanto iogurte acabou me fazendo mal. Meus amigos e familiares disseram que o problema era mais sério, que envolvia vício em jogo e em iogurte. Delírios à parte, eu disse que era apenas impressão deles. Eu estava normal, iogurtemente normal.

Concluindo, depois de um ano em coma, eu finalmente melhorei. E tudo por que eu sempre fui uma pessoa de mente forte. Espero que isso possa ajudar todos vocês a progredirem em suas vidas. Nunca cedam às tentações. E resistam como eu.

29 de janeiro de 2008

"Só consegue alguma coisa quem se dedica muito"

Como esse é um blog feito por um estudante de jornalismo, resolvi colocar aqui uma entrevista que fiz em outubro de 2006 com o jornalista Marco Antônio Rodrigues, mais conhecido pelos seus comentários no programa esportivo Arena SporTV. A entrevista foi feita para um trabalho sobre telejornalismo.

Acredito que seja algo útil não apenas para quem estuda Jornalismo, como também para quem goste de se informar e de saber o que pensa um profissional da maior emissora televisiva do país.

O texto contém diversos erros de português e repetições exageradas, pois é a transcrição não revisada da entrevista. Tentei tirar os erros mais gritantes, mas de qualquer forma acredito que não há nada que interfira a compreensão do texto.

Marco Antonio Rodrigues é nascido em Araraquara, no interior de São Paulo, e é formado em Jornalismo pela ECA-USP e já trabalhou na Gazeta Esportiva, no Diário Popular, na Folha de São Paulo, no Jornal da Tarde, na Tv Record e na Tv Gazeta. Na Rede Globo, onde trabalha há 28 anos, comanda o jornalismo de todas as emissoras afiliadas e é o responsável pela implementação do atual modelo do SPTV. Seu único chefe é Carlos Henrique Schroedder.

Na sua opinião, a televisão tem mais o papel de entreter ou de educar?

Olha, eu acho que num país como o Brasil, tão carente de informação, de cultura, de educação, a televisão não pode esquecer do papel de educar, de informar. É lógico que tem que ter entretenimento também. Isso a televisão faz muito bem. A televisão brasileira é muito competente, especialmente a Globo, no entretenimento. Acho que a parte jornalística de informar, isso a TV brasileira, para mim, de forma geral, faz muito bem. A TV que eu trabalho, a TV Globo, faz maravilhosamente bem. A parte de educação que eu acho que é uma parte que nós estamos devendo. Acho que o país tem de fazer um esforço pela educação e a TV, que é um veículo comercial, tem que dar uma contribuição na educação do país. As iniciativas são tímidas, temos boas iniciativas, mas são muito tímidas em relação ao déficit educacional que tem no Brasil. Nós precisamos de uma cruzada na educação, senão o Brasil não vai sair disso.

E você acha que a televisão tem qual importância nisso?

A televisão é importantíssima. A televisão é o principal veículo. Para você ter uma idéia, 80% dos brasileiros se informam pela televisão. Oitenta por cento! O brasileiro não tem dinheiro para comprar informação. A grande massa do país, mais de 80% do país, não tem dinheiro para comprar jornal. Não compra jornal, não compra internet, não compra a informação paga. A informação de graça é a televisão. Então a televisão tem um papel fundamental. O país vive na frente da televisão. Nós que trabalhamos numa emissora com a audiência que a Globo tem, sabemos muito bem disso.

Com o limite de tempo, os telejornais conseguem exercer o papel de educadores?

O dia tem limite, né: vinte e quatro horas. Os jornais também. Os jornais não estão no papel de educar. Os jornais acabam educando, porque o sujeito bem informado vai se reeducando também. Mas não é isso. A informação nós fazemos bem. Conheço televisões do mundo todo, e o Brasil tem um bom jornalismo. Hoje nós temos um jornalismo muito bom. A TV Globo tem 5,5 horas de jornalismo por dia. Isso é um espaço muito importante, contribui na educação. Mas na educação mesmo, programas de educação, isso nós estamos devendo. Nós temos até o “Telecurso”, só que é muito cedo. Eu acho que nós temos que ajudar o Brasil nesse sentido.

O principal problema para a televisão assumir o papel de educadora mesmo seria a questão comercial?

Sem dúvida. O problema é o seguinte: televisão tem que ter audiência. Para ter audiência é mais fácil fazer um entretenimento de qualidade. Jornalismo também dá audiência, dá credibilidade, dá dinheiro, dá anúncio para televisão. Nós precisamos descobrir uma maneira que não seja na marra, que não seja imposta pelos órgãos públicos, temos que descobrir uma forma de atrair o povo para programas de qualidade, programas educativos. Se em último caso a televisão não conseguir, que seja na marra, que seja por força de lei. Nós não podemos virar as costas para educação, na minha humilde opinião.

Você acha que culpam demais a televisão pela falha do Estado?

Mas não se trata de culpar a televisão. A televisão é um bem de serviço público, concessionária do serviço público. Como concessionária do serviço público, e eu falo como jornalista, falo como uma pessoa que trabalha há 35 anos na televisão, falo com sentimento de cidadão. Eu como cidadão, como jornalista, acho que a televisão não está para cobrir o que o Estado não consegue fazer. Não é nada disso. A televisão tem uma capacidade de influenciar no país impressionante, o país vive na frente da televisão. No Brasil inteiro as pessoas vêem muito televisão. E temos que aproveitar isso pra ajudar na educação. O Brasil tem uma falha educacional muito grande, acho que a televisão tem que fazer alguma coisa, temos que trabalhar pelo país. Acho que essa é a questão.

Quais as principais características do telejornal?

O telejornal tem que informar o que acontece no Brasil e no mundo. O cidadão tem o direito da informação. O cidadão livre tem direito à informação, e a gente tem que veicular tudo o que acontece, tudo o que é relevante no país e no mundo. Acho que a televisão cobre isso muito bem. O jornalismo está muito desenvolvido. A tecnologia ajuda muito o jornalismo. Hoje você entra de qualquer lugar do mundo ao vivo; vai ser cada vez mais. Estamos começando a tv digital. As revoluções tecnológicas vão provocar uma eficiência no jornalismo cada vez maior. Quando eu cheguei aqui há 28 anos o trabalho era à base de filme e laboratório. Não tinha nem na emissora, tinha que fazer a reportagem, mandar para o laboratório no centro da cidade e esperar quatro horas pela revelação. Então as coisas se modificaram absurdamente. E eu acho que no jornalismo, na informação... O que é jornalismo para mim? Jornalismo para mim é prestação de serviço público, é fazer coisa que tenha interesse público, isso é jornalismo. Na acepção da palavra, na mais pura definição de jornalismo, para mim é levantar assunto, discussões e soluções de interesse público, isso é jornalismo. Isso é televisão. Umas mais, outras menos, outras nenhum, nada!, mas isso a televisão, como forma geral, faz muito bem.

A tv digital vai trazer uma influência direta para o telejornalismo, vai mudar alguma coisa?

Ela vai aumentar a eficiência do jornalismo. Nós vamos ter mais canais especializados, mais segmentos. Então hoje nós temos a GloboNews, o SporTV, canal 24 horas de jornalismo, canal 24 horas de esporte. Nós vamos ter isso para todo mundo, não só para o assinante do cabo. Acho que o jornalismo tem um caminho muito forte na tv digital.

Quando se fala em telejornalismo, pode-se pôr a CNN como maior símbolo?

Olha, a CNN representou, ali naquela primeira guerra do Iraque, uma grande novidade mundial. Mas o povo não vê CNN, nós estamos muito longe disso, o povo mal fala português. O povo mal entende o que os telejornais estão dizendo. Você imagina em inglês. Realmente, a CNN é uma referência para nós jornalistas, mas no Brasil a coisa é diferente.

Eu gostaria que você citasse um telejornal brasileiro que tenha inovado de certa forma?

O Bom Dia Brasil, da TV Globo, é um belo telejornal. Tem inovado na forma. No conteúdo, ele é um pouco seletivo. Acho que para quem assiste os telejornais da TV Globo: Bom Dia Brasil, Jornal Nacional, Jornal da Globo e Jornal das 10, da GloboNews para quem tem cabo, está razoavelmente bem informado.

Você acha então que a televisão tem um papel significante na sociedade, ela influencia as pessoas?

Sem dúvida. Nada influencia mais a sociedade, hoje, do que a televisão.

A linguagem nos telejornais é informal ou ela precisa ser mais objetiva mesmo?

A linguagem é objetiva, o problema é que nós temos um seriíssimo problema de linguagem. Nós aqui classe média, você que estuda em uma universidade boa, eu que me formei na USP, nós entendemos tudo o que se passa nos telejornais, Mas o povo tem uma dificuldade muito grande para entender. Você sabe que tem dois Brasis aí, né? Um Brasil que foi para a escola – o Brasil que estudou –, e um Brasil em que o sujeito é semi-analfabeto. E esse Brasil semi-analfabeto é imenso, e ele vê televisão, e ele não entende muito dos assuntos. Nós temos uma dificuldade muito grande. Eu trabalhei muito nisso, muitos anos e com muita pesquisa. Eu acompanhei e a gente tem uma grande dificuldade em comunicação. O público não entende sigla. Teve um tempo - ano passado, retrasado - que falou-se um tempão sobre Reforma Tributária. O povo não sabe o que é Reforma Tributária. Então, a gente tem que aprimorar. Fazer entender-se para o grande povo é uma arte difícil e que tem que ser procurada com muita vontade.

Eu já vi opiniões dizendo que o telejornalismo local é uma nova tendência. Eu queria saber a sua opinião.

É. Eu fiz o novo projeto do SPTV, em São Paulo, em 1998, que foi o jornalismo comunitário. Eu fui o editor-chefe, implantei esse novo jornal. Eu acho que cada vez mais o cidadão, não só aqui, no mundo inteiro, quer saber mais das coisas que estão mais próximas a ele. A tendência é o jornalismo local crescer de tamanho e o nacional diminuir. Isso já é assim nos Estados Unidos, já é assim na Europa.

Mas vai chegar a substituir os nacionais?

Não. O cara sempre vai querer saber do país e do mundo, mas vai querer saber muito mais das coisas que estão próximas, que diz respeito à vida dele. Então, eu vejo que o jornalismo local vai crescer ainda mais.

O jornalismo sempre foi uma tradição da Globo. A Record, assim como o SBT, também estão investindo em telejornais. Porque é tão importante ter um telejornal na grade da emissora?

Porque senão não tem credibilidade. O Silvio Santos não gosta de jornal, não gosta de jornalista, mas o mercado o obrigou a contratar jornalista, para o canal dele não ser um canal só de programa de auditório. Então, eles contratam jornalistas, porque jornalismo dá credibilidade para a emissora, tem público, tem audiência, tem patrocinador, é bom para o mercado.

Porque o telejornalismo do SBT não fez sucesso ainda?

Porque não se faz nada de repente, não existe milagre em jornalismo. Enquanto, por exemplo, a TV Globo faz jornalismo há 40 anos, o SBT faz há um ano e meio, dois. Em um ano e meio, dois, não dá pra fazer... Não tem milagre. Tem que ter maturação. Para conquistar o telespectador é difícil, leva tempo. Tem que investir e persistir.

O fator comercial tem uma influência na produção dos telejornais?

Não, nenhuma, nenhum, nenhuma. Trabalho na TV Globo há 28 anos, o (departamento) comercial não tem nada a ver com o jornalismo. O cara do jornalismo não responde ao comercial. Isso, aqui em televisão séria, não existe. As pessoas sabem. Um telejornal tem que ser isento, senão ele perde a credibilidade. A notícia corre no mercado, pega mal, então a imagem é tudo, a nossa credibilidade é tudo, e a gente tem que lutar muito para preservar. Não tem cabimento, esse tipo de coisa não existe. Posso falar para você que não existe. Aqui não existe. Jornalismo é credibilidade, se arranhar isso fica ruim, o produto fica ruim, fica desacreditado. Não serve.

Você pode citar um caso de falta de credibilidade?

Bom, posso citar o Gugu. O que o Gugu fez, até hoje ele sofre violentamente, o canal SBT sofre... Aquele negócio do Gugu mentir, de fazer uma entrevista forjada é exemplar na tv brasileira, na imprensa brasileira. Aquilo lá trouxe um prejuízo irreparável para a carreira dele. Ele perdeu audiência, perdeu dinheiro, perdeu patrocinador, ele estava no auge. O público se sentiu enganado, o público foi enganado por ele. O público odeia ser enganado, você não pode enganá-lo. Ele é fiel com você, ele te assiste, ele acredita em você. Então, esse caso do Gugu foi o maior exemplo de mau jornalismo. Ele tentou fazer jornalismo, fez uma picaretagem e se deu muito mal.

A televisão é um meio bem instantâneo. Em situações como os ataques do PCC em São Paulo, no começo do ano, como conciliar tudo isso? Porque você tem que apurar a noticia, mas também não pode perder a notícia, tem que veicular no jornal...

É, mas a televisão tem uma responsabilidade que a internet, por exemplo, não tem. A internet põe qualquer porcaria no ar, informação sem checar nada, e depois corrige. E depois, você vê tanta coisa que vai para a internet e não se confirma. Hoje não, tem alguns sites que estão saindo com mais seriedade, tem vários sites que são sérios. A televisão tem um cuidado muito grande porque atinge um público muito grande. Aqui o lema é o seguinte: não tem certeza, não vai para o ar. Só vai para o ar na hora que tem certeza. Aí a gente consegue as coisas, cobertura, porque tem um bando de profissionais de altíssima qualidade, super bem treinados, e mandam de louco quando acontece alguma coisa. O sangue do jornalista é aquele de se dedicar, de apurar, de levantar; e tem dado certo.

E, na sua opinião, como foi a cobertura da imprensa em geral no caso do PCC?

Foi bom, foi uma cobertura boa. Eu vejo a imprensa num grande momento no Brasil, num grande momento. Eu passei pela ditadura, por crises econômicas nos veículos de comunicação. Hoje eu vejo um momento de grande liberdade em todo grande órgão de comunicação, tanto jornal impresso quanto TV, rádio... Hoje o brasileiro está bem informado sobre o que acontece no país. Se não sabe mais é porque quem faz as coisas erradas esconde bem, porque a gente trabalha para fazer a coisa direito. Acho que a imprensa vive um belo momento.

Como você definiria o jornalismo da Rede Globo?

É um jornalismo que se aprimora cada vez mais. É um jornalismo que discute internamente os seus problemas. É um jornalismo que se esforça para evoluir. É um jornalismo que cada vez mais está prestando serviço público. É um jornalismo que denuncia, que apura. É um telejornalismo responsável, não é sensacionalista, que goza, felizmente, de grande credibilidade, que trabalha orientado para fazer um jornalismo imparcial. O melhor momento da história do jornalismo da TV Globo, eu vejo nesse momento. É um jornalismo voltado para os interesses da população.

Se você pudesse definir telejornalismo em uma palavra, qual seria?

Informação.

Eu gostaria de saber como começou a sua história no jornalismo?

Eu tinha 15 anos de idade, morava em Araraquara, fui trabalhar num jornal por necessidade. Comecei a escrever num jornal impresso. Vim para São Paulo e entrei na ECA (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo), em 1972. Para sobreviver em São Paulo, comecei a trabalhar em um jornal. Trabalhei na Gazeta Esportiva, no Diário Popular, na Folha de São Paulo, no Jornal da Tarde, onde trabalhei 12 anos como repórter especial, trabalhei na TV Record, na TV Gazeta, fiz um monte de “frila” (trabalhos como freelancer) e estou na TV Globo há 28 anos.

Você tem algum telejornal da sua preferência?

Eu sou um viciado em comunicação. Assisto a todos os telejornais que tem pela frente. A televisão fica ligada na GloboNews o tempo inteiro. Eu assisto esporte, jornais e leio jornais diários e revista. Todo mundo que quer ser jornalista um dia, que é estudante, ou é jornalista, tem que ler compulsivamente notícia, em todos os meios. Hoje é uma delicia, tem internet, tem jornal impresso, tem revista, tem televisão 24 horas por dia falando de notícias. Eu acho isso muito bom.

E seu jornal preferido é mesmo o Bom Dia Brasil?

Não, não tenho nenhuma preferência. É um jornal que eu gosto de ver todo dia. Um jornal que dá um bom panorama político, econômico, um pouquinho de cultura, mas é imprescindível ver tudo. Cada um tem o seu estilo, porque cada um é feito para o horário que ele vai a o ar. A televisão é habito, hábito do dia-a-dia, hábito do que o sujeito está fazendo em casa. Então de manhã o ritmo é um; à tarde, à noite o ritmo tem que ser outro; mais à noite, no “Jornal da Globo”, o ritmo é reflexivo. Eu como estou ficando velhinho, acordo cedo, eu gosto do bom Dia São Paulo, do Bom Dia Brasil (rindo).

O que você tem a dizer para quem está começando agora?

Suar a camisa. Ninguém é gênio, não cai nada do céu, tem que trabalhar muito. Tenho 35 anos de profissão, e só consegue alguma coisa quem se dedica muito, precisa gostar muito desse “troço”. Precisa gostar, precisa ler, precisa ser viciado em informação. Uma geração que tem que ler internet, tem que ler jornal, tem que ler literatura, tem que ler autores brasileiro para conhecer a cultura nacional, tem que ser viciado em informação, até bula de remédio tem que ler. Tem que ser o dia inteiro. Ler e entender um pouco de tudo, muito de nada, e muito de tudo.